/// . Baobá Voador .
Nao sentes?

“Para sermos capazes de resistir nós precisamos nos tornar floresta — e resistir como floresta. Como floresta que sabe que carrega consigo as ruínas, que carrega consigo tanto o que é quanto o que deixou de ser. Me parece que é a esse sentimento político-afetivo que precisamos dar forma para dar sentido à nossa ação. Para isso temos que deslocar algumas placas tectônicas de nosso próprio pensamento. Temos que descolonizar a nós mesmos.” Eliane Brum

Mamazonia, pachamama, abya yala, planeta terra, estamos aqui! Em resistencia permanente, vendo o mundo cair. Nao nos queiram convencer a recordar das viagens de Orellana, Colombo, Cortez, Cabral e muitos outros aventureiros, que formaram o encontro mais surpreendente da história humana, marcado pela incompreensão do outro das multiplas naturezas – e início de um extermínio e êxodos em escalas inimagináveis.

O século XVI veria o maior genocídio de todo planeta. É a conquista da assim chamada América, que anuncia e fundamenta a nossa história presente. É o momento que finalmente somos todxs parte de um todo, o globo, e simultaneamente tão estranhos que não nos reconhecemos ao menos como espécie. “O mundo é pequeno”, diz Colombo (“Carta rarissima”, 7.7.1503).

A amazonia sempre esteve no centro do mundo. Produtora do plastico natural, um fruto da Seringueira moveu a economia planetaria pelos ultimos seculos, e continua de forma ininterrupta ate os dias atuais. E agora a pecuaria – que não alimenta o próprio povo, que nunca o fez, pelo contrario alimentam os fastfoods do planeta inteiro, cafezinhos com acucar, são todxs cumplices da carnificina, a ganancia do processo invasor, são os “novos” colonizadores, nunca entendimento, escuta.

“Por que nos causa desconforto a sensação de estar caindo? A gente não fez outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados agora com a queda? (…) Vamos aproveitar toda nossa capacidade crítica e criativa para construir paraquedas coloridos. Vamos pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos (…) Já que a natureza está sendo assaltada de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas poéticas sobre a existência”Ailton Krenak

Teve tambem seus mundos, mundos sem centros, subjetividades culturalmente valiosissimas, mais que qualquer pepita – e o contorno, de encontro com o nosso recurso mais valoroso, o ar que respiramos, a agua que bebemos, o que nos nutre como especie comum, hoje de volta quica com outros olhos.

E o minimo que temos que fazer, dancar e celebrar, ouvir e recordar, em novos e mais potentes encontros, subjetividades-devires-fagias.

(re-)Xistir.

 

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