/// . Baobá Voador .
Laboratório de Cultura Permanente @ Circo Voador

O projeto: II Festival de Cultura Digital (FCD) no Circo Voador, Rio de Janeiro, aconteceu de 11 a 14 de agosto. O evento, segundo o sitio do projeto, propôs uma reflexão sobre as novas configurações de arte e de cultura que permeiam a produção cultural e intelectual da sociedade digital. A entrada era uma peça de computador, reaproveitada nas oficinas de meta-reciclagem, ou um livro. http://www.circovoador.com.br/culturadigital/release.html

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A proposta: # Laboratório de Cultura Permanente: A atividade, proposta pelos coletivos baobá voador & horta urbana rj ocupou uma tenda no circo voador com diferentes práticas experimentais de utilização de energias limpas para o preparo de alimentos e intervenções midiáticas.

A primeira intervenção chamou-se Ciclocine. Inspirada nas bicimáquinas mexicanas [1], na metodologia metareciclagem [2] e nas práticas permaculturais de energia livre (veja seção permacultura), o ciclo-cine tratou de temas como agroecologia, propriedade intelectual, geração de energia, ação direta, a sociedade do consumo, bioativismo, entre outros temas, através de projeções de filmes e documentários dentro da tenda. Essas intervenções de vídeo utilizaram a energia gerada por uma bicicleta, disponível e aberta para os participantes do festival. O experimento, feito com um alternador e uma bateria de carro, ligados a um no-break, provou estar numa fase de testes, necessitando pedalar mais ou menos meia hora para 15 minutos de cine, também devido ao consumo dos equipamentos usados – um projetor de imagens, mesmo de pequeno porte como o utilizado ainda consome muita energia, se comparado com equipamentos de usos mais econômicos como um carregador de bateria de celular ou laptop (12v). O experimento continua na Horta Urbana, priorizando eletrônicos mais econômicos ou aumentando a potência do armazenador de energia (mais baterias de carro) .

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A proposta não só propõe uma reflexão sobre o nosso próprio consumo energético assim como dá uma oportunidade às pessoas de contribuirem para a sua saúde e a do planeta! O tema da energia está em muita evidência no Brasil com os falsos modelos de matrizes energéticas limpas – o Biodiesel que nada de ecológico tem, fomentando o já exaurido sistema monocultivo, usando os espaços produtivos para veículos num país que ainda enfrenta problemas de distribuição de alimentos (fome), aprofundando o uso de maquinaria pesada – mais consumo energético – água e venenos químicos; ou as hidrelétricas – projetos (des-)envolvimentistas oriundos dos governos militares que re-aparecem no cenário global como opções ecológicas mas que obviamente não consideram nem a vida aquática, nem territórios sagrados para nossas culturas originárias.

A segunda foi um forno alimentado pela luz do sol feito com materiais reciclados, com capacidade para cozinhar alimentos como vegetais e pães. O tutorial seguido foi o do fotógrafo cearense Albano http://www.seara.ufc.br/tintim/fisica/fornosolar/fornosolar00.htm que há alguns anos vêm praticando a cozinha solar. Esse mesmo tutorial usamos para os dois fornos anteriores que fizemos no Cibersalão Pipa e no espaço dos Articultores. A versão carioca também segue para um período de testes, já que o tempo não estava muito propício a cozinha. Abaixo algumas dicas sobre energia solar do Albano:

Porquê usar um forno solar?

1 – Vantagens para o usuário:

– Equipamento barato e fácil de fazer e usar.
– Economiza gás butano, carvão e lenha, sobrando mais dinheiro para a compra de alimentos.
– Reduz o trabalho de cozinhar: toda a comida é colocada no forno ao mesmo tempo e não precisa ser mexida ou vigiada durante o cozimento pois não queima, deixando o usuário livre para outras atividades.
– Menos trabalho lavando panelas pois a comida não queima, não seca, não gruda.
– Pode ser construido pequeno e leve, possibilitando seu transporte para uso no local de trabalho e/ou lazer.
– Promove mais saúde pois a comida cozinha lentamente e a temperaturas mais baixas, preservando os nutrientes.
– Reduz as doenças nos olhos e nos pulmões causadas pela fumaça resultante da queima de lenha na cozinha.
– Não causa incêndios nem queimaduras.
– Pode ser usado com segurança até pelas crianças.
– Produz comida mais saborosa pelo cozimento mais lento, (mais tempo para incorporar os temperos) e pela retenção do vapor e do aroma em panelas fechadas no espaço fechado do forno.
– Possibilita pasteurizar a água e o leite para o consumo da família, reduzindo o risco de diarréia, náusea e vômitos provocados pela contaminação.
– Possibilita fazer conservas e desidratar frutas e sementes, aumentando sua duração.
– Possibilita a fabricação artesanal de fornos para venda assim como a restauração, conserto ou reforma de fornos usados.
– Possibilita ao usuário promover cursos ou oficinas para ensinar a fazer e usar fornos solares, uma fonte de renda ainda inexplorada e de grande potencial de crescimento.
– Possibilita fazer e vender, sem custo de combustível, pães, bolos e biscoitos assados ao sol, aumentando as fontes de renda da família.
– Pode ser útil como material didático em projetos de feiras de ciências nas escolas públicas e particulares.
– Possibilita o uso em outras tarefas como a esterilização de instrumentos, derretimento de ceras ou parafina, tingimento de tecidos, etc.
– Possibilita a utilização, em dias nublados, como ambiente térmico, para completar o cozimento de alimentos fervidos em fogão convencional, pela capacidade de manter o calor por muito tempo.
– Promove a participação pessoal do usuário na campanha mundial pela preservação do meio-ambiente.

2 – Vantagens para o meio-ambiente:

– Possibilita grande redução no uso de combustíveis fósseis como gás butano ou querosene que poluem a atmosfera e que vão se esgotar.
– Possibilita grande redução no uso de combustíveis renováveis como a lenha e o carvão que poluem a atmosfera e contribuem para o desmatamento com suas conseqüências graves para o meio-ambiente como a erosão e o empobrecimento dos solos, a poluição das águas, a redução das chuvas e da oxigenação do ar e o avanço do processo de desertificação.

O forno solar não dispensa totalmente o uso do fogão tradicional, pois você vai precisar, de vez em quando, preparar ou aquecer um alimento de manhã, ou à noite, fazer um café, ou cozinhar em dias de chuva. Também não é possível fazer frituras no forno solar.

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Por fim fizemos uma produção gráfica intensa com stencils que tomarão às ruas em breve!

Por fim uma agradecimento especial a Duda, Gaby, e a todas as pessoas que circularam no evento e que se interessaram pelo tema, e principamente Belisário que nos ajudou na proposta, montagem e dia-a-noite da intervenção, e o eletricista do Circo que nos ajudou imensamente na gambiarra eletrônica!

T.

[1] Vídeos oficina CACITA – Bicimáquinas http://www.youtube.com/watch?v=AuhLOeJQ5VQ e http://www.youtube.com/watch?v=5shOqUID0K4&NR=1
[2] http://rede.metareciclagem.org

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